A IMPORTÂNCIA DE SE ESTUDAR SOBRE AS AVES
Por Paulo Boute
Quando se fala em observação de aves, algumas vezes incorre-se no erro de se ater somente à observação em si, sem atentar-se para o fato de que quanto mais se souber, antecipadamente, sobre as aves avistadas mais prazerosa e produtiva será sua observação.
Fazendo-se uma comparação à grosso modo, quando se estuda sobre determinada ave, seria como ler o "manual de instrução" de objeto eletrônico, em que fica-se sabendo sobre suas potencialidades...
Veja por exemplo o caso do "Tziu" ( Volatina jacarina). Sem observá-la dando seus "saltos acrobáticos" ao emitir seu canto, não encontraríamos grandes motivos para admirá-la com carinho.
O estudo das aves pode ser feito das mais diferentes maneiras, utilizando-se os mais variados recursos: Internet, livros, revistas, CDs... Sem desprezar o meio de transmissão de conhecimento com milhares de anos de uso: Uma boa conversa com alguém com um nível mais elevado sobre o assunto. Dito isto, o mesmo somente terá validade, se a pessoa que estiver recebendo tal conhecimento, se propor, no futuro a também partilhar de sua sabedoria, completando um círculo virtuoso.
Se, possível, o contato com o "mundo das aves" deve ser diário, principalmente, porque quem o pratica tem nele uma fonte de prazer. Mesmo que sejam poucos minutos diários, que se possível, sejam culminados com algumas boas horas de observação em campo no final de semana ou feriados.
Abraços, Paulo Boute.
A ILUSTRAÇÃO DE AVES E A FELICIDADE
Por Mario Arthur Favretto
Mais do que uma obra de arte, uma ferramenta na identificação de espécies de aves, enchem nossos olhos com as cores de aves que muitas vezes não conseguimos avistar em meio a vegetação.
Quem nunca se admirou observando a ilustração de uma ave? Uma ilustração que pode ser considerada artesanal, na qual o ilustrador coloca todo seu carinho no detalhe de cada pluma da ave, para uma reprodução artística perfeita desses companheiros de todo o dia. Para se obter uma ilustração de qualidade é necessário muito esforço, observação, força de vontade (para não desistir ao errar), treino e principalmente ter amor pelas aves. Visitas a museus também ajudam, para ver alguns detalhes das aves que nem sempre é possível em campo.
Com toda certeza, um ótimo passatempo, que propicia grande satisfação, quando ao acabar a ilustração você olha para ela e pensa: “- Aqui está um fruto de meu trabalho, feito com todo meu carinho, há um pouco de mim em cada pena ilustrada.”
Você fecha os olhos e então imagina a ave que você acabou de ilustrar a sua frente, cantando e mostrando toda sua beleza. Uma sensação pura e que traz muita felicidade ao ilustrador.
E muito melhor é quando você mostra suas ilustrações para as crianças, e estas em seu rosto demonstram admiração pela beleza da ave e pelo seu trabalho e pedem para você, para ensiná-las essa arte que agrada a tantas pessoas.
E assim pode-se afirmar que a ilustração, vai muito além do que aquilo que está no papel, pois tem sua função na identificação de aves, apresenta seu lado artístico, um lado que pode ser definido como uma parte da vida do ilustrador e que poderá fazer parte da vida de outros, como da vida das crianças que apresentam uma grande visão para o que há de belo e puro neste mundo. Es os responsáveis por tudo isso são as aves.
Mario Arthur Favretto
A Travessia Petrópolis
Teresópolis do
ponto de vista ornitológico.
Essa
caminhada de 30km, normalmente feita em 3 dias, foi considerada por
muitos anos como a mais difícil do Brasil. Ela tem algumas
peculiaridades que a tornam atrativa para os observadores de
pássaros, uma vez que o Parque Nacional da Serra dos
Órgãos possui 264 espécies
registradas.
No
primeiro dia a altitude tem uma variação de cerca
de 1.100m, o que permite observar as aves que habitam dentro da
floresta que existe dos 1.100m aos 1.300m, ao adentrarmos pelo primeiro
vale seguimos por cerca de duas horas caminhando dentro da floresta ao
lado de um imponente rio, aqui são vistas
espécies de pequeno e médio porte. Logo
após, com o ganho de altitude ficamos por cima da floresta e
poderemos observar o vôo dos rapineiros da região.
Daí em diante, já nos 1.600m, entramos nos Campos
de Altitude que sobem até os 2.200m (o cume da Serra dos
Órgãos é 2.263m). Perambulando nos
Campos de Altitude encontramos menor número de
espécies, porém a
observação torna-se muito interessante porque
estamos em um ambiente que nos é hostil, muito vento e
nevoeiro ou sol esturricante, quase sem árvores, apenas
rochas e capim. No verão nem devemos subir, devido
às tempestades de raios. Passaremos dois dias nesses campos.
À medida que a caminhada prossegue, sobe morro... desce
morro... sobe morro... desce morro..., encontramos nos vales algumas
fontes d’água e florestinhas escondidas... nesses
nichos sempre avistamos algumas espécies que por detalhes de
colorido se destacam na paisagem ou passam completamente
desapercebidas. No último dia, ao começarmos a
descer atravessamos um trecho muito interessante de floresta, a
impressão que tenho é que os pássaros
daqui estão já acostumados com humanos
não-agressivos, o Parque foi criado em 1939, e ficam nas
árvores próximas da trilha tratando de seus
assuntos sem nos dar muita bola. Aqui já fotografei uma
paciente Saíra-Azul-Turquesa (Dacnis cayana) que esperou por
vários minutos eu tirar a mochila pegar a máquina
e trocar de lentes a uma distância de menos de 5 metros,
só voando após eu me aproximar e
registrá-la. Essa foto está no meu site http://www.rioserra.com.br
Pessoalmente acho que uma Travessia de observação de aves é uma caminhada para ser feita em cinco dias, ao invés dos três convencionais. E, para quem não dispõe desses dias ou anda meio sem preparo, um passeio de um dia nas extremidades é um excelente programa.

